GOVERNADOR PODE ASSUMIR PREFEITURA DA CAPITAL/2015

ANDRÉ PUCCINELLI ARTICULA ASSUMIR PREFEITURA DA CAPITAL EM 2015


Com a cassação do prefeito Alcides Bernal, mais a reeleição antecipada do vereador Mario Cesar à presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal e a ação contra o atual prefeito Gilmar Olarte, podemos ter eleições em 2015 e Puccinelli na Prefeitura


André Puccinelli articula assumir prefeitura e manter comando peemedebista. Foto: Geovanni Gomes.


Ninguém confirma, no entanto ninguém desmente que após a cassação do prefeito Alcides Bernal (PP), que ocorreu em 12 de março deste ano e, com a posse de seu vice Gilmar Olarte para a Prefeitura da Capital, mesmo mantido o perfil e parte do secretariado do antigo prefeito Nelsinho Trad (PMDB), as coisas não caminharam como deviam.

Não bastou reassumir um comando que lhes foi tirado pelo voto. Algo mais precisava ser feito para que o poder se mantivesse nas mãos do grupo. O lançamento do nome da vice-governadora Simone Tebet (PMDB) para o Senado, nome mais forte no momento, em contraste com a candidatura esvaziada do ex-prefeito e ex-secretário de governo Nelsinho Trad, foi o primeiro passo. No entanto, o que era certo, passou a ser duvidoso.

Com o nome do ex-prefeito Alcides Bernal lançado à candidatura ao Senado, o horizonte eleitoral sofreu mudanças, conforme comprovam recentes pesquisas. Sua candidatura, recente e inesperada, já altera os números das pesquisas de intenção de voto e o colocam em condição real de brigar pela vaga.

A preferência, conforme pesquisas, pelo nome do candidato Delcídio do Amaral (PT) ao governo, não comprovadamente apoiado pelo governador André Puccinelli, afastaria o PMDB do poder no estado.


DENÚNCIAS CONTRA OLARTE

Mesmo governando a Capital com parcela significativa do PMDB nas secretarias-chaves, as denúncias contra o prefeito Gilmar Olarte, que foram encaminhadas ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), após investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e que correm em segredo de justiça, o prefeito corre, também ele, o risco de ser afastado do comando da administração municipal.

Caso isso venha a acontecer, e não é descartada a possibilidade, causaria uma instabilidade política que, unida a rejeição popular aos governos peemedebistas, provocaria a exclusão dos mandatários que já ocupam o poder há 20 anos.


XADREZ  POLÍTICO

Antevendo esta possibilidade, as peças do xadrez político jogado com maestria pelo governador André Puccinelli, partiram para o ataque (que como afirmam os enxadristas e negam os técnicos de futebol, ainda é a melhor defesa).

Para tanto, sacrificaram o rumo político do vereador Mario Cesar, que deveria ser candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa, e numa rápida caneta que alterou o Regimento Interno da Câmara Municipal de Campo Grande e antecipou as eleições da Mesa Diretora (que deveria ocorrer apenas em novembro ou dezembro deste ano), mantiveram-no como presidente daquela Casa de Leis, por antecipação reeleito para o biênio 2015-2016. A explicação dada, sem o menor pudor foi: “Caso haja surpresas nas eleições – para o governo, senado, Câmara Federal e Assembleia – isso não refletiria na composição da Câmara Municipal”.


ENTÃO, O GOLPE

A arquitetura política, antevendo o afastamento do ex-vice e atual prefeito Gilmar Olarte em função das denúncias encaminhadas ao Tribunal de Justiça, tramou um confortável jogo de poder.

Assume, constitucionalmente, o presidente do Legislativo e, num prazo de 30 dias deve convocar eleições suplementares a serem realizadas no prazo máximo de noventa dias. Teríamos, nesse caso, no espaço de tempo de 21 a 24 meses (caso o afastamento se dê entre agosto e dezembro – prazo de apreciação da denúncia e decisão judicial) o terceiro prefeito de Campo Grande em exercício desde as eleições de 2012, Mario Cesar (PMDB).

Com a providencial desistência de André Puccinelli em concorrer ao Senado, e mesmo que uma eleição suplementar ocorra em janeiro ou fevereiro, pelo fato de a eleição ser suplementar, as regras de descompatibilização são específicas, o que lhe permitiria concorrer sem, necessariamente se afastar do comando do governo antes do final do seu mandato.

Dessa forma, como os outros candidatos que apresentam condições de conquistar votos estarão desgastados pelas eleições que ocorrerão em outubro e, com a aprovação popular que tem, André Puccinelli retornaria ao comando da administração municipal.

Assim, ainda que ninguém confirme, mas não tendo quem desminta, o horizonte político de Mato Grosso do Sul e, em especial de sua Capital, está traçado e ficará nas mãos do mais hábil enxadrista.




Campo Grande/MS, 15 de Julho de 2014